sábado, 24 de abril de 2010

Torneios de Pré-Temporada: Troféu Festa de Elche



O estádio Manuel Martínez Valero recebe todo ano o torneio "Trofeu Festa de Elche" (getty images)


O Troféu Festa de Elche (Festa d'Elx, em catalão) é um torneio amistoso de futebol que se organiza todo ano na cidade espanhola de Elche, (provincia de Alicante) de maneira ininterrumpta desde 1960, sendo o terceiro troféu de verão mais antigo da Espanha, despois do Teresa Herrera e o Ramón de Carranza. Um total de 39 clubes de 13 países diferentes já participaram do torneio, sendo o Elche FC quem disputa como mandante em cada uma das edições. Em 2009 foi disputada a qüinquagésima edição, sendo o Elche FC o atual campeão do torneio.

Em 1969, Elche e Estudiantes se enfrentaram pelo torneio. Os argentinos foram campeões ao ganharem por 2 a 1 (elche.com)

O Troféu Festa de Elche foi criado no ano de 1960 pela Junção de Elche para conmemorar as festas da cidade, em honra à sua padroeira, a Virgem de Assunção, cada 15 de agosto. Em um primeiro momento, o troféu representaria a Palmeira imperial, porém por diversos motivos se propususeram a dar ao troféu o nome de José Esquitino, nome de quem fora presidente em Elche por então, porém o mesmo não concordou.

No jogo desta temporada, o Elche venceu por 2 a 1 o Almería, conquistando, assim, o seu 25º torneio.

Todos os campeões

Elche FC - 25 títulos.

FC Barcelona - 3 títulos.

Real Madrid, Real Múrcia, Vasco da Gama, Indepediente, Estudiantes de La Plata, Real Zaragoza, Valencia, Seleção do Marrocos, Osasuna, Villarreaal, Deportivo, Real Bétis, Mallorca, Espanyol, Ferencvárosi Torna Club - 1 Título.


Você pode saber mais do torneio entrando página especial (em castellano) sobre o Torneio que movimenta a cidade da comunidade valenciana.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A consagração de Raúl

Em Agosto de 1997, o Real Madrid conquistou a Supercopa da Espanha, após derrotar o Barcelona por 5 a 3, com 3 gols da, até então, promessa Raúl. Nessa temporada chegou ao clube, procedente do Real Zaragoza, o jovem atacante Fernando Morientes, que fez junto com Raúl, a dupla de ataque após algumas temporadas. Com seu novo treinador, o alemão Jupp Heynckes, Raúl não teve uma posição "fixa" em campo, devido as suas constantes trocas no time titular.

Na primeiro ocasião, foi posicionado como um meia central, vindo de trás da dupla Suker-Mijatovic, e foi assim até o último caminho da temporada. Apesar da titularidade, não rendeu como suas anteriores temporada, devido a fraca condições físicas provocadas pela pubalgia, que arrastava desde a pré-temporada.

Após ficar alguns meses fora, Raúl voltou as atividades com os merengues, mas não alcançou um bom número de gols na Liga BBVA 1997-98 (apenas 10 gols). Em contraste, fez um boa Uefa Champions League e se consagrou nas classificações do Real contra Bayer Leverkusen e Borussia Dortmund. O Real Madrid chegara a sua primeira final de Champions em três decadas. No dia 20 de Maio de 1998, Raúl conquistou sua primeiro UCL, sétima do Real Madrid, quando os blancos impulseram 1 a 0 na Juventus, em Amsterdan.

Escalação da final da LC de 97-98, entre Real Madrid e Juventus. Olha o Raúl alí...

No início da nova temporada, os blancos perderam a Supercopa da Europa ante o Chelsea por 1 a 0, em Mônaco, trás a estréia do holandês Guus Hiddink na direção técnica. Contudo, foi no dia 1 de Dezembro de 1998, que Raúl se consagrou de vez para o futebol. O Real Madrid venceu o Mundial Interclubes contra o Vasco da Gama por 2 a 1, e Raúl foi eleito o homem da final. Na partida, Raúl marcou o segundo gol, após uma linda jogada individual, batizada com o “gol de aguanís”. Para o próprio Raúl o gol marcado por ele contra o Vasco, foi um dos mais bonitos de sua carreira futebolística. Nessa temporada, Raúl registrou seu melhor ano até o momento, apesar da irregularidade que a equipe madrileña mostrou durante o campeonato. Com 25 gols em 37 partidas, finalizou a Liga como o pichichi do torneio, superando Rivaldo (24) e o argentino Claudio López (21), do Valencia. Foi o primeiro Trofeu Pichichi que Raúl ganhou em sua carreira. A temporada 98-99 foi, de fato, a da consagração de Raúl pro mundo.

Promessas: Pablo Sarabia

Assediado por Wenger, Sarabia amadureceu e deve render bons frutos para o Real Madrid (realmadrid.com)

Originalmente do site Olheiros

----

Os números comprovam: atualmente, a Espanha também é sinônimo de domínio entre as seleções de base do futebol mundial. Dentre os maiores feitos e conquistas, está o bicampeonato europeu na categoria sub-17 de 2007 e 2008, quando Bojan Krkic e Sergio García, respectivamente, comandaram outros jovens rumo ao estrelato. O fato não se repetiu na edição de 2009, quando a Fúria foi eliminada ainda na fase de grupos após três empates sem gols contra Itália, Suíça e França.

No entanto, dentre a disparidade nas atuações coletivas, destacaram-se três jogadores: o artilheiro Borja Bastón, sucessor de Fernando “El Niño” Torres no Atlético de Madrid, Isco Alarcon, meia habilidoso do Valencia, e Pablo Sarabia, canhoto e companheiro de posição que atua nos juvenis do Real Madrid, cujo espaço desta seção está reservado.

Por muito pouco, Sarabia não seguiu os passos dos compatriotas Fran Mérida e Cesc Fabregas, este último um sucesso tanto no Arsenal, quanto na seleção principal da Espanha. Atencioso com o futebol juvenil, Arsène Wenger encontrou em Sarabia mais uma de suas pedras preciosas.

Com boas atuações no Juvenil C do Real Madrid após crescer numa escola de futebol na mesma cidade, o meia já figurava na seleção espanhola sub-15 mesmo sendo um dos mais novos de sua geração. Como de praxe, o relativo sucesso ganhou notoriedade em outros países, como na Inglaterra e, consequentemente, acelerou o processo de “apropriação” pelo qual passam muitos jovens ao se transferirem.

Em 2007, agentes dos Gunners vieram negociar diretamente com os pais de Sarabia. Foram duas tentativas rejeitadas de prontidão. Nem o emprego para os pais e o futuro promissor do jogador no time principal do Arsenal garantiram que a negociação avançasse, por mais que a FIFA só interviesse a partir dos 16 anos, idade que pode proibir a ruptura unilateral de contratos e vínculos maiores do que três anos. Um exemplo à época foi a perda do argentino Gerardo Bruna, que rumou para o Liverpool nos mesmos moldes de negociação. Sarabia optou pela vontade da família e ficou.

Parece ter sido sua melhor decisão. Entre os juvenis, em que é um dos destaques, ocupa um cargo de um dos donos do time. Não à toa provou isso na edição da Eurocopa de 2009, ao classificar a Espanha com um chutaço contra a República Tcheca, na partida que definiu a passagem para a fase de grupos e evitou um desastre – um empate eliminaria a Fúria precocemente na busca do tricampeonato seguido. Antes, o camisa 11 já havia marcado contra Bélgica, Armênia e Estônia.

Outro fato que chama a atenção em Sarabia são os elogios do novo treinador. Ginés Meléndez, ex-técnico da categoria sub-19, substituiu o vencedor e companheiro Juan Santisteban no comando da seleção sub-17. E, mesmo acostumado a um futebol mais encorpado e evoluído de uma geração adiante, não economizou quando o assunto foi Pablo Sarabia.

Titular no Real Madrid? Futuro incerto

Se no Brasil o também jovem Neymar é dono da posição e escolhe camisa no Santos, o panorama é um tanto quanto diferente em Madri. Embora Juande Ramos tenha levado aos merengues uma consistência rara na década – ainda que a anos-luz do rival Barcelona –, o material humano, principalmente no meio-campo, é escasso. Não à toa o lateral de origem Marcelo fora utilizado em muitas rodadas do Campeonato Espanhol mais avançado, ao lado dos holandeses Robben e Sneijder.

Sarabia pode e deve ser a solução em médio prazo. E terá bons testes nos torneios de maior apelo entre as seleções de base. O Real Madrid, hoje um elenco heterogêneo, mediano e sem identificação, necessita dos bons valores da casa. Ele não ficou à toa e merece atenção especial.


Ficha técnica

Nome completo: Pablo Sarabia Garcia

Data de nascimento: 11/05/1992

Local de nascimento: Madrid, Espanha

Clubes que defendeu: Real Madrid

Seleções de base que defendeu: Espanha Sub-17 e Sub-15

O doblete realmente é possível!

Como a torcida colchonera ainda critica Forlán?! O uruguaio novamente decidiu! (AP)

Não foi charmoso e nem heróico. Foi sério e eficaz. Lendo assim, quem não viu o jogo, pensaria numa vitória do Liverpool, mas não, foi do Atlético de Madrid. Um Atléti que aceitou a tática de guerra plantada por Benítez e venceu cada batalha dentro de campo. Foi uma partida muito séria do Atléti. O Liverpool nem deu trabalho direito e De Gea "assistiu o jogo" do gol. Ujfalusi e Perea lideraram uma (pásmem) grande defesa. Reina evitou dois gols. O Calderón não invejou o Anfield.

O primeiro gol saiu logo no começo e, ironicamente, um dos gols mais feios da história do Atléti e do currículo de Forlán será recordado como um dos mais charmosos. A beleza é ampliada em determinados cenários, sejam eles clubes ou semifinais. Aos nove minutos, Roberto Jurado veio com a bola dominada pela esquerda, entrou na área e cruzou. Diego Forlán pegou a bola, e falhou na primeira tentativa de domínio, mas conseguiu retomá-la e tocou fracamente, na saída de Pepe Reina. Daniel Agger ainda tentou tirar a bola das redes, mas fracassou, e o Atlético de Madrid fez 1 a 0. O gol não mudou a abordagem de ninguém e para o resto da noite deu a impressão de que se o árbitro deu-lhes sair imediatamente com esse resultado.

O Liverpool pouco fazia. Sem contar com Torres, N'gog caiu facilmente na marcação de Pérea e Kuyt tentava fazer tudo sozinho, já que era um dos mais lúcidos dos reds. Raúl García e Pablo Assunção cuidaram muito bem de Gerrard e impediram-o de armar o Liverpool, enquanto que Reyes enlouquecia Agger. Restou ao Liverpool tentar atacar pelo empate. Aos 15 minutos, a bola sobrou para Jamie Carragher, que dominou a bola e chegou pela esquerda, mas bateu para fora. Porém, a próxima e última chance do primeiro tempo veio do lado da equipe de Quique Sanchez Flores: aos 41, pela direita, Tomas Ujfalusi entrou pela área, fintando a defesa do Liverpool, mas acabou chutando para fora. A bola ainda tocou a rede de Reina.

No início do segundo tempo, o Atléti correu em busca do segundo gol. Logo aos oito minutos, Forlán recebeu a bola na entrada da área e tentou bater de primeira, mas o arremate saiu muito fraco, ficando fácil para Reina defender. E, aos 12, outra grande chance: Ujfalusi dominou a bola e correu pela direita, cruzando para a área. Na segunda trave, Simão Sabrosa jogou-se para escorar, exigindo grande defesa de Reina, que espalmou por cima do gol.

A partida praticamente morreu com o Atlético de Madrid batendo muitos escanteio e sem sofrer muitos apuros e nem tirando suspiros da torcida. O Atléti ontem parecia uma equipe ingles e isso é méritos de Quique. O 1 a 0 não é magnífica, mas pra volta os rojiblancos terão Agüero. A vantagem é colchonera. Resta apenas um passo para a grande final.

A torcida colchonera que tanto apoiou e deu um show, só restou cantar: "Volveremos, volveremos otra vez, volveremos a ser campeones como en el 96"

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Coadjuvantes da LFP: Gonzalo Higuaín

Raça, vontade, artilheiro e amor à camisa. Algumas das características que podemos destacar em Higuaín (corazón blanco)

Gonzalo Higuaín é um jogador de futebol argentino, mas nascido em Brest, na França. Proveniente do River Plate, se transferiu, na janela de inverno da temporada 2006-07, junto com Gago e Marcello, para o Real Madrid. Higuaín é uma das jovens promessas do futebol argentino. É o terceiro filho do famoso defensor Jorge "el Pipa" Higuaín e irmão do jogador Federico Higuaín. Deixou a Franca com apenas 10 meses e não voltou até a Copa do Mundo de 1998. Embora não saiba falar a língua francesa, possui passaporte francês por ter nascido la. Nos últimos meses, há sido comparado pela imprensa com Gabriel Batistuta, artilheiro histórico da seleção argentina.

O franco-argentino estreou na primeira divisãoa argentina no dia 29 de maio de 2005, na derrota do River Plate ante o Gimnasia y Esgrima de La Plata por 2 a 1, pela 15ª rodada do Clausura daquela ano. No dia 8 de outubro de 2006, marcou dois gols frente ao Boca Juniors no superclássico do futebol argentino, onde o River venceu por 3 a 1 sendo o Pipita a figura da partida, junto com seu companheiro Fernando Belluschi. Foi o ápice para o seu treinador, Daniel Passarella, declarar que o franco-argentino tinha um "enorme futuro" e que estava "destinado a ser uma grande estrela".

Em agosto de 2006, o River Plate vendeu 50% de seu passe para o grupo Media Sport Investment (MSI), pertencente ao empresário iraniano Kia Joorabchian. Na Libertadores daquele ano, "calou" todo o Pacaembu, ao marcar 2 gols sobre o Corinthians, na vitória por 1 a 3 do River Plate, em que gerou uma enorme confusão no estádio paulista. Devido as suas grandes atuações, começou a rolar grandes rumores que equipes como Milan, Lazio, Manchester United e Chelsea, o pretendiam. Após a contratação de Marcello, pelo Real Madrid, começou a se especular uma possível contratação de dois jogadores da liga argentina: Fernando Gago, do Boca Juniors, e o próprio Gonzalo Higuaín. Ambos acabaram sendo contratados.

A chegada no Real Madrid
No dia 14 de dezembro de 2006, o River Plate chegou à um acordo com o Real Madrid para a venda do jogador franco-argentino por 12 milhões de euros, segundo cifras oficiais. Após finalizar o Apertura 2006 transferiu-se para o Real Madrid, com um contrato de 6 anos e meio de duração. Suas primeiras declarações como jogador merengue foram: " É genial ter a oportunidade de jogar em um clube tão importante como o Real Madrid. Me sinto orgulhoso de eles terem me contratado".

Sua estreia na equipe madrileña foi no dia 11 de janeiro de 2007, frente ao Real Bétis na Andaluzia, o resultado foi um apático 0 a 0 onde Higuaín foi convocado pra partida, mas não saiu do banco de reservas. Sua estreia oficial chegou três dias depois, no dia 14 de janeiro, contra o Real Zaragoza, no Santiago Bernabéu. Higuaín jogou muito bem e criou inúmeras ocasiões de gol e deu a assistência do único gol da partida, marcado por van Nistelrooy. Seu primeiro gol na Liga BBVA aconteceu no dia 24 de fevereiro do mesmo ano e com grande estilo: no dérbi de Madrid, contra o Atléti, no Vicente Calderón. Ele marcou o gol de empate do time blanco, no jogo que acabou 1 a 1. Seu primeiro gol no Santiago Bernabéu foi inesquecível, afinal, ele marcou nos últimos minutos do jogo contra o Espanyol, na vitória por 4 a 3, que deu a liderança do torneio pro Real Madrid e, rodadas depois, o título.

Na temporada 2007-08, continuou sendo determinando para a equipe madrileña. No jogo que consagrou o Real Madrid campeão pela 31ª vez, o Real Madrid perdia para o Osasuna por 1 a 0, e Higuaín entrou no segundo tempo. Ele viu Robben marcar o gol de empate, foi o autor do gol que culminou a virada do time e, consequentemente, do título do clube. Apesar disso, Higuaín voltou a banco quatro dias depois, quando o Real Madrid jogaria o superclássico do futebol espanhol contra o Barcelona, partida ao qual ficou conhecido pelo o Barcelona ter realizado o passilo ao Real Madrid. O jogo acabou 4 a 1 pro Real Madrid e Higuaín entrou no segundo tempo e deixou sua marca.

Na temporada 2008-09 teve uma grande oportunidade de ser titular devido a grave lesão sofrida pelo holandês van Nistelrooy. Foi um jogador chave dessa temporada e marcou 4 históricos gols contra o Málaga, no Santiago Bernabéu. Ironicamente, a última vez que um jogador merengue tinha conseguido tal feito, foi o próprio van Nistelrooy, em Setembro de 2006. Na atual temporada é o grande destaque do time madrileño, junto com Cristiano Ronaldo, e, contra o Valladolid, anotou o seu segundo hat-trick desde que chegou ao clube.

Na seleção argentina vai cativando seu espaço. Marcou um gol decisivo contra o Peru, nas eliminatórias, e marcou um gol importante contra a Alemanha, num amistoso internacional. Seus únicos gols profissionalmente pela seleção Argentina. Esses gols parecem ter cravado um lugar de titular no ataque na Copa do Mundo de 2010, ao lado de Lionel Messi.

Gonzalo Higuaín
Nome completo: Gonzalo Gerardo Higuaín
Data de nascimento: 10 de dezembro de 1987
Local de nascimento: Brest, França.
Altura: 1,84 m.
Peso: 75 kg.
Apelido: Pipita, El Pipa, Le Pipo.
Títulos: Liga BBVA (2006-07; 2007-08), Supercopa da Espanha (2008)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A missão de Pochettino

Pochettino armou um esquema que anulou os pilares do Barça e consequentemente o próprio Barça (AS)


Uma semana depois de vencer o Real Madrid no Santiago Bernabéu – e ficar com cara de que o título estava no papo –, o Barcelona tropeçou no Espanyol no dérby barceloní e viu a vantagem na ponta cair a um ponto. Não foi um grande negócio sair com o 0 a 0 do Cornellà-El Prat, mas é injusto condenar o Barça. Afinal, os péricos foram perfeitos em anular os blaugranas, de um modo que, talvez, apenas o Rubin Kazan e a Inter de Milão tenha feito.

O Espanyol se fechou. A linha defensiva (Chica, Pareja, Victor Ruiz e Didac) não avançou. Aos quatro se uniram os volantes Baena e Forlín e até o meia Callejón. Com isso, a intermediária ficou congestionada, quebrando a velocidade do Barcelona. Messi não conseguiu se deslocar e Xavi ficou preso no meio. Claro, se fosse tão simples, todo mundo faria isso para segurar o Barça. Mas o time de Mauricio Pochettino contou com outros dois elementos: o Barcelona estava sem jogadas pelas pontas (Pedro não teve uma grande noite, Maxwell ficou de meia ofensivo por falta de opções – Ibrahimovic ainda volta de contusão e só jogou no segundo tempo – e Daniel Alves foi injustamente expulso) e cada jogador espanyolista atuou com a dedicação de quem estava em final de Copa do Mundo. Não houve jogo, na prática. Um time tentou anular o outro e conseguiu. Simples assim.

É compreensível. Considerando que uma vaga para competição europeia era ilusão, o torcedor périco tinha apenas dois desejos para a temporada: não rebaixar e não perder para o Barcelona no primeiro derby barceloní do estádio Cornellà-El Prat. E foi para isso que Pochettino organizou a equipe. Vencer era muito menos importante do que não perder. Até o contra-ataque foi sacrificado em nome de um jogo travado.

Os críticos podem chamar de antijogo. Mas o Espanyol teve seus motivos para elaborar essa estratégia. E o fez com sucesso. Se esse empate tirar o título do Barça, a torcida espanyolista ficará ainda mais satisfeita. E terá valido a pena.

Pós-Jogo: Inter 3x1 Barcelona

Maicon chuta para vencer Valdés. Merecidamente, a Inter derrotou o Barcelona e está próximo da final (globo.com)


Pelo jogo de ida das semifinais da Uefa Champions League, a Inter de Milão deu um grande passo rumo à final em Madrid ao vencer por 3 a 1 o Barcelona. O resultado também quebrou um tabu de 40 anos entre as duas equipes – desde 1970, quando fez 2 a 1 em partida no Camp Nou, a Inter não vencia o clube catalão. Os principais responsáveis pela quebra do tabu foram Sneijder, Milito, Maicon, Lúcio, Thiago Motta e Júlio César. as duas equipes começaram a partida com formações ofensivas, usando três atacantes. Na Inter, José Mourinho escalou Pandev, Milito e Eto’o; o Barcelona começou com Messi, Pedro e Ibrahimovic, que voltou à equipe.

Nos primeiros minutos da partida, as duas equipes não se acanharam. O Barcelona, dentro de suas características, tentava manter a posse de bola. Já a Inter, em casa, não contentou-se apenas em ficar atrás, e buscou o jogo. Os italianos apostavam demais nos passes longos para Milito e Eto'o, porém, muitas vezes, o argentino, principalmente, ficava em impedimento. Quando a Inter parecia mais próxima do gol, o Barcelona jogou um balde de água fria nos interistas. Em um ataque isolado, Maxwell avançou pela esquerda e cruzou para a área. Pedro, na marca do pênalti, tocou sem chances para Júlio César. Atrás no placar, a Inter mudou de comportamento. A equipe italiana passou a desperdiçar posses de bola em sequência, e recuou a marcação, permitindo que o Barcelona tomasse o controle da partida. Ainda assim, o clube de Milão criou boa oportunidade de empatar. Mas Milito, novamente frente a frente com Valdes, desperdiçou. O Barça não aguentou a pressão interista e acabou sofrendo o empate. Milito fez a jogada de pivô e Sneijder, livre na esquerda, chutou para empatar a partida. Foi o primeiro gol marcado pela Inter sobre o Barcelona desde 1970.

O gol da Inter deixou partida aberta. Enquanto o Barcelona tentava seus ataques pelas laterais, sobretudo com Daniel Alves, já que Messi e Xavi estavam muito marcados pelo meio. O clube italiano buscava suas jogadas sempre pelos pés de Sneijder, que era mais uma vez seu principal jogador ofensivo. O segundo tempo começou com a Inter mais ligada na partida. A marcação sobre Messi continuava intensa, e foi assim que saiu o segundo gol do clube italiano. Thiago Motta roubou a bola do argentino na defesa e achou Diego Milito livre pela direita; depois de entrar na área, o atacante cruzou para Maicon, que colocou a equipe da casa pela primeira vez à frente no placar aos 3 minutos.

Messi, bem marcado, tinha raras chances na partida. Na primeira grande oportunidade, aos 7 minutos, ele recebeu pela direita e chutou de fora da área. A bola fez uma curva e quase enganou o goleiro Júlio César, que se recuperou bem e conseguiu fazer a defesa. Apesar do susto, a Inter não se abalou. O terceiro gol saiu aos 16. Após cruzamento pela direita, Sneijder cabeceou em direção ao gol – a bola iria sair, mas Diego Milito, impedido, tocou para as redes do gol defendido por Valdés. Aos 25 minutos, a Inter levou outro susto: em disputa de bola com Messi, o brasileiro Maicon lesionou o maxilar, e teve de deixar a partida. O brasileiro terá que operar o dente e é dúvida para a volta.

A partir dos 30 minutos, com Messi mais aberto pela direita, o Barcelona voltou a levar perigo. Em busca de um segundo gol, a equipe comandada por Pep Guardiola pressionou. Primeiro, em cobrança de falta de Messi, defendida por Júlio César; depois, em jogada de Daniel Alves, em que o brasileiro caiu após disputa com Sneijder. Entretanto, o árbitro não assinalou pênalti e ainda deu cartão amarelo para o lateral. O Barcelona teve outra grande chance aos 40 minutos. Depois de cruzamento na área, Piqué passou por Júlio César e chutou em direção ao gol. Lúcio, em cima da linha, evitou o que seria o segundo gol dos espanhóis, coroando grande atuação. Já aos 46, o Barcelona teve nova oportunidade de balançar as redes. Depois de jogada de Messi e Piqué, Pedro concluiu de bicicleta, e a bola parou nas mãos do goleiro Júlio César. Após o término da partida, o Barça não reclamou muito da longa viagem, mas reclamou demais da arbitragem. Os jornais catalães abriram um inquérito e descobriram que Olegario Benquerença, o árbitro da partida, e Mourinho são amigos há 10 anos e que haviam sido sócios de um restaurante em Portugal chamado "O Menino".

O Barcelona terá uma missão difícil, mas não impossível. Vale lembrar que na temporada 99/2000, o Barça conseguiu virar para cima do Chelsea, quando, em Londres, perdeu por 3 a 1 e na volta venceu por 5 a 1. Iniesta ainda é dúvida e Puyol não joga por suspensão. De acordo com alguns jornais catalães, a derrota feriu o orgulho de alguns jogadores culés e, na volta, os torcedores farão uma grande festa e prometem lotar os 98.000 lugares do Camp Nou.

Confira também o resumo do jogo feito por Nelson Oliveira, do QuatroTratti


Inter 3x1 Barcelona
Inter: Júlio César; Maicon (Chivu), Lúcio, Samuel, Zanetti; Cambiasso, Thiago Motta; Pandev (Stankovic), Sneijder, Eto'o; Milito (Balotelli).
Barcelona:Valdés; Daniel Alves, Puyol, Piqué, Maxwell; Xavi, Busquets; Keita; Messi, Ibrahimovic (Abidal); Pedro.
Árbitro: Olegário Benquerença, de Portugal.
Gols: Sneijder, Maicon e Milito (Inter); Pedro (Barcelona).
Cartões amarelos: Eto'o e Stankovic (Inter); Busquets, Puyol, Piqué, Keita e Daniel Alves (Barcelona).

---

(ATUALIZADO): Após o termino da partida de hoje, sábado 24/04, contra o Xerez, os jogadores do Barcelona colocaram uma camisa com a seguinte frase estampada: "El partido contra el Inter empieza a las 8 de la tarde. Nos dejaremos la piel. A por una remontada histórica".