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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Final amargo

Contratação mais cara do Villarreal no mercado, Zapata foi o grande vilão na estreia da equipe nos play-offs da LC (getty images)

As estatísticas pós-jogo mostraram que o Villarreal teve 64% da posse de bola e chutou 16 vezes a gol contra 4 do Odense. Quem olha apenas por esses números pensa, realmente, que o Submarino Amarelo saiu do primeiro jogo dos play-offs da Liga dos Campeões com uma excelente vitória. Engana-se. Após erro infantil de Zapata no final da partida, Andreasen aproveitou e fez o único gol da vitória dinamarquesa por 1 a 0.

Garrido manteve o esquema que conseguiu encaixar na equipe na metada da temporada passada, após vários testes e mudanças no módulo tático. O 4-4-2 a rombo com Borja Valero na armação é ótimo para uma equipe com dois atacantes letais e velozes, como Nilmar e Rossi. Na primeira etapa, entretanto, o ítalo-argentino, principalmente, pecou nas finalizações. Levando sempre muito perigo pela esquerda da zaga do Odense, faltou a Rossi rematar com mais precisão.

Nilmar, por sua vez, pouco chutou a gol, mas participou ativamente das jogadas de perigo: jogando mais distante da área, chegando a cobrir a armação com Valero numa espécie de 4-3-2-1, o brasileiro mostrou um físico invejável para quem passou metade da pré-temporada lesionado da coxa. As laterais preocuparam. Mesmo sem oferecer muito perigo, as jogadas de perigo do Odense saíram justamente pelos flancos, quando tanto Oriol quanto Mario Gaspar mostraram-se displicentes.

As saídas de Cazorla e Capdevila fizeram - e continuarão fazendo - falta. No caso do meio-campista, Camuñas, contratado para seu lugar, iniciou no banco em dentrimento da titularidade de Soriano, que não levou muito perigo jogando à direita do campo de ataque do Submarino Amarelo. A opção pela improvisação de Marchena na volância não foi bom para uma equipe que costuma ser extremamente ofensiva. Muito preso as jogadas defensivas, o ex-Ché não participou de nenhuma jogada de ataque dos amarillos na partida.

Na segunda etapa, a postura foi a mesma. Porém, Rossi continuava pecando muito nas finalizações. Com Nilmar se aproximando mais da área do que nos primeiros quarenta e cinco minutos, foram constantes os chutes a gol do brasileiro. Porém, na equipe adversário, havia um jogador que brilhava: Wessels, goleiro do Odense, parava a todo custo o Villarreal. Cansado, Nilmar, que volta de lesão, pediu substituição, e foi trocado por Camuñas.

Logo após a saída do camisa sete, o Villarreal sofreu o castigo que pode mudar o rumo da classificatória: Zapata, comprado junto à Udinese por oito milhões de euros, errou na saída de bola na entrada da área e deixou Hans Henrik Andreasen livre para tocar na saída de Diego López e decretar a vitória do time dinamarquês.

Na próxima semana, o Villarreal terá de reverter no El Madrigal o placar. Para se classificar para a fase de grupo, terá de vencer com, pelo menos, dois gols de diferença. A lição para Garrido é simples. Aproveitar o bom talento que tem nas mãos e colocar a equipe para cima de um adversário que só saiu vitorioso graças a um erro de seu próprio comandado. O Submarino Amarelo ainda é favorito e terá que confirmar isso caso queira voltar à fase de grupos e, se puder, sonhar com uma classificação para a semifinal da competição como em 2005/2006.

Pronto para navegar para mais longe

Rossi e Nilmar resolveram ficar e continuarão sendo necessários para o Villarreal na nova temporada (superdeporte)

O Villarreal encerrou a última Liga BBVA com a sensação de que poderia ter ido um pouco mais além. Após um fim de temporada bem abaixo da média, que permitiu a reação do Valencia e a perda da terceira colocação para os chés, os amarillos acabaram ficando apenas com a vaga nos play-offs da Liga dos Campeões como "prêmio" de consolação. Derrotas acachapantes para Porto e Valencia, porém, não mancharam a temporada de uma equipe que chegou a desempenhar, junto com o Barcelona, o futebol mais bonito da Espanha. Naquele - terrível - mês de maio, o lado amarillo de Castilla y León tinha duas inquietações: saber se o Villarreal seguraria suas estrelas e se o elenco daria mais opções para a disputa da Champions.

Entre as estrelas, até o momento, apenas Cazorla e Capdevila saíram (para Málaga e Benfica, respectivamente). Especulou-se muito na provável saída de Rossi para Juventus, Arsenal e, até mesmo, Barcelona e Atlético de Madrid, mas, no final das contas, o ítalo-americano acabou mesmo ficando. Outro que teve seu nome muito ligado à transferência foi Nilmar. Na última semana, o brasileiro deu uma declaração que teria deixado os dirigentes do Submarino Amarelo um tanto insatisfeito: "gostaria muito de jogar pela Roma", disse o gaúcho. Todavia, Nilmar fica para a disputa da temporada e estará à disposição de Garrido para a estreia na Champions League.

Para suprir a ausência dos dois jogadores, a diretoria dos castellonenses agiu rápido: anunciou, logo em seguida à confirmação das vendas, os nomes de Camuñas (Osasuna) e Zapata (Udinese). O elenco, entretanto, não ganhou muito em profundidade: hoje, Garrido tem "apenas" 23 jogadores da equipe A para contar - fora dois ou três que sempre acaba chamando do Villarreal B.

Nos primeiros testes da pré-temporada (e para o jogo contra a Odense, pela Champions League, daqui a pouco), Garrido manteve o 4-4-2 a rombo (ou 4-3-1-2) e, pelo elenco que possui, não deve alterar o esquema em curto prazo. O onze titular que entra a campo para enfrentar os dinamarqueses terá Diego López; Mario, Musacchio, Zapata e Oriol; Cani, Bruno Soriano, Marchena e Borja Valero; Nilmar e Rossi. Ou seja, uma equipe com o entrosamente da última temporada e espinha dorsal formada no decorrer dos anos passados.

Para um Villarreal verdadeiramente europeu, ainda faltaria um meia de qualidade para substituir Cazorla, que possa atuar pelos lados do campo e revezando com Borja Valero na armação. Além disso, um zagueiro mais confiável seria bem vindo, além de um lateral direito, visto que o capitão Ángel ainda está lesionado. Cicinho não deu certo no time e voltou para a Roma. No gol, Diego López continua absoluto como titular, mas em caso de lesão, o bom e experiente César Sánchez foi contratado a custo zero junto ao Valencia para substituí-lo.

Pelas movimentações até aqui, fica claro que o time irá aguardar a classificação (ou não, em caso de zebra) para a fase de grupos da Liga dos Campeões, em 23 de agosto, para definir os movimentos finais de mercado. Como bem disse Garrido, "jogar a fase de grupos da Champions é excitante e, portanto, os jogos contra a Odense irão determinar a temporada".